sexta-feira, 1 de setembro de 2017

EI-LOS QUE PARTEM

      
Dos que partiram, nem todos regressaram, ou voltaram precocemente, por razões diversas: o clima, a alimentação, a desidratação, o isolamento, a ansiedade e, até a falta de noticias da família; os acidentes de viação, a utilização e/ou o manuseamento de armas, em condições anómalas, ou quedas sofridas durante as operações ou nos serviços do aquartelamento; o rebentamento de minas e armadilhas, accionadas inadvertidamente aquando da montagem e/ou desactivação: a não resposta à chamada, durante alguma acção, de camaradas desaparecidos, nos rios ou nas matas, por se terem perdido ou terem sido capturados; os feridos em combate, atingidos por tiros, estilhaços de granadas e/ou rebentamento de engenhos explosivos, de que resultaram ferimentos graves e mutilações, quer nos atingidos quer nos camaradas próximos. Muitas destas razões provocaram a evacuação dos “atingidos directamente” para um posto de socorro de retaguarda e, nalguns casos, o regresso ao Teatro de Operações, mas para outra unidade, já que a sua ausência havia sido complementada por novas mobilizações.

                  “Mas quando alguém do nosso grupo cai, 
                  ‘inda é pior, ‘inda sofremos mais. 
                   Faz-nos sentir, faz-nos pensar 
                   Talvez da próxima vez 
                   Seja eu, quem vai tombar!” 

Versos ouvidos, repetidos, sentidos e sofridos por quem por lá andou. 

A queda de alguém que “tombou no campo da honra” era, e ainda é, terrível não só por quem o passou directamente, mas de quem dele teve conhecimento, mesmo que indirecto e, por força da sua vivência de guerra, acabou por causar traumas, muito semelhantes, aos que foram atingidos directamente. 





segunda-feira, 21 de agosto de 2017

13º ALMOÇO CONVIVÌO

Companheiros de uma vida, iremos realizar o 13º almoço convivío da ONZIMA, no dia 21-10-2017 em Coimbra no Restaurante Solar do Bacalhau.
Aqui fica o menu do Almoço, que espero seja do agrado de todos aqueles que estiverem presentes.
A todos aqueles que ainda não confirmaram a sua comparência, aqui fica o meu contacto de Tlm. 918616491.
Um obrigado e estaremos em comunhão de emoções no dia 21-10-17.
Abraços.

                   
http://www.solardobacalhau.pt/

ENCONTROS

08-08-17
A GUERRA NO TEMPO...
Quatro companheiros da guerra, juntaram-se para recordar. Um obrigado pelo partilhar de emoções.
Albano Laranjeira- Jaime Mota-José Luís Martins-José Beja



19-08-17
RECORDAR O PASSADO....
Hoje voltamos a cruzar emoções e sentirmos que ainda estamos vivos, faz bem e revigora o nosso ego. Obrigado pelo convívio e pela amizade.
Albano Laranjeira-Mário Morgado-Luís Oliveira-José Santos Rodrigues




segunda-feira, 14 de agosto de 2017

16.000 Dias

Passaram 16.000 dias após pisarmos o aeroporto de Figo Maduro. Parece que foi ontem, mas vai distante o ano de 1973. Tudo tem um fim, e aos poucos vamos partindo, ficando só a memória de uma geração que foi ceifada pela guerra. Um abraço forte aos que ainda resistem.





quarta-feira, 9 de agosto de 2017

SONGO-A SUA HISTÓRIA


 As histórias mágicas do norte do país mergulham bem fundo nas lagoas do Songo. As lendas do Uíge são ancestrais e passam de boca em boca desde quando os tempos eram coisa sem calendário. A vila cafezeira do Songo é o lugar de cidades inundadas e luzes misteriosas no fundo de águas claras.

A tradição do norte é coisa muito própria. Estamos em terras do antigo Reino do Congo e toda essa sabedoria, lendas e histórias vêm de tempos lá muito atrás. A província do Uíge é parte desse todo que foi poderoso e que ainda hoje tem uma força cultural intensa.
A noroeste da capital da província, está o Songo. Vila de recente fundação. As terras que hoje conformam o município só foram reconhecidas oficialmente como posto administrativo colonial em 1923, a 4 de Abril. Contam que o lugar foi fundado por um português, António Cordeiro de Oliveira, que ali chegou uns anos antes, em 1919. Não se sabe ao certo de onde vinha, se ali chegou em deambulação ou com missão explícita de reforçar a presença colonial na região. A 27 de Julho de 1960, o Songo foi elevado a vila, impulsionada pela produção de café nas suas terras. Por estes anos o Uíge era uma potência cafeicultora mundial. Um monumento ao café relembra a quem visita o Songo a sua vocação que, pouco a pouco, vai renascendo. O Songo é dessas vilas pequeninas em que Angola ganha outra cara. Talvez mais real e pé no chão. Sem alaridos nem maquilhagem desnecessária. Directa e sincera, como as suas gentes. E com sabores tão nossos como a nfumbua ou a kizaca. Uma volta pela sede municipal é uma visita a um passado não tão distante, feito de casas comerciais de colonos, de edifícios rústicos e sóbrios de lugar agrícola. Centro Turístico Esta é a história oficial, com H grande, linha de tempo bem horizontal e com direito a referências de almanaque. A outra história é bem diferente. Escrita com letras grandes do princípio ao fim, conta os murmúrios que esvoaçam, tipo brisa, por entre as moreiras, pau-preto, mucambas, muanzas, takulas e tantas outras árvores que se fecham em selva nestas terras altas da província. É a uns quilómetros do Songo, no lado direito da estrada entre a vila e Ambuila, que se revela um outro lado deste lugar. A tradição aqui surge em forma de lagoa. Mufututu, chamam-lhe. As histórias fantásticas sobre este ponto de água cristalina, bem pertinho da aldeia de Quimacuna, são de arregalar os ouvidos. Contam que lá em baixo das águas cristalinas há uma gruta de onde saem bagres já fumados ou cozidos. O estranho fenómeno terá sido descoberto em 1922 ou 1923 pelo mais-velho Nkelani. Esta lenda que os habitantes de Quimacuna juram ser verdade-verdadeira, foi contada em voz viva pelo mais-velho Mateus Domingos ao Jornal de Angola, numa visita do jornalista José Bule ao local. Atordoado pelo fenómeno, depois de descobrir a lagoa, o parente Nkelani voltou a Quimacuna, perseguido por dois porcos. Antes de morrer subitamente, teve uma visão onde os bagres lhe pediam que ninguém entrasse na lagoa. Desde então, não há vivalma autorizada a pescar ou mergulhar naquelas águas.
Os sonhos e visões nunca mais cessaram. Dizem que sempre que algo importante está prestes a acontecer, os bagres mergulham nos sonhos dos sobas da aldeia, como alerta ou anúncio. As lendas sobre este lugar mágico, a apenas 47 km a norte do Uíge falam também que na lagoa vivia a Mãe Bagre. Um dia, incomodada pelas obras na estrada que passa ali ao lado, a progenitora de todos os peixes da região foi viver para a lagoa Dimina, comuna de Kinvuenga. Não sem antes se despedir do então soba de Quimacuna, Miguel Nsanga, num sonho em que pediu que os habitantes da aldeia cuidasse dos seus filhos.
Com ela, desapareceu também um dos outros grandes mistérios do Mufututu. Contou o velho Mateus Domingos a José Bule que antes havia uma enorme cidade dentro da lagoa que só era possível visitar, uma vez observada uma cerimónia ritual. “Depois da mãe dos bagres mudar de residência, a cidade desapareceu e agora só se vê uma luz verde lá no fundo”. Palavras do mais-velho. A força dos antepassados aqui é forte, e não há que pôr em causa as histórias de quem realmente conhece a terra e vive lado-a-lado com os mistérios que ela encerra. Se gostar de viajar pela mágica tradição do nosso país, numa paisagem natural de beleza densa e verdejante, o Songo é lugar ideal.
O Songo fica cerca de 50 km a norte da cidade do Uíge, na via que liga o corredor Negage e Uíge.


domingo, 30 de julho de 2017

SONGO-UÍGE-Encontro anual

O encontro anual que se verifica todos os anos no último Domingo do mês de Julho. As recordações permanecem e extravasam emoções entre os que se reúnem em Mogofores. O tempo vai-nos distanciando e distorcendo as imagens através dos anos. Aos que estiveram presentes um abraço de saudade.





domingo, 23 de julho de 2017

O JORNALISMO PORTUGUÊS na GUERRA COLONIAL

Fundamental a recolha de testemunhos dos profissionais que cobriram a guerra na função de repórteres. Importa ainda ter em conta a relação existente entre jornalistas e Forças Armadas no teatro de operações, não esquecendo que houve jornalistas que fizeram uma pausa forçada na profissão para servir a pátria como militares. Não menos relevante é compreender a função do jornalista que vivia e trabalhava nas províncias ultramarinas e do enviado especial da metrópole ao território português desconhecido. Havia diferenças entre o jornalismo praticado nas regiões em guerra e na metrópole?



terça-feira, 18 de julho de 2017

O CHÃO FRIO....



  • Nas três frentes da guerra colonial, caíram para sempre, milhares de jovens, abraçando a terra quente e vermelha. Muitos deles não voltaram à sua Pátria, foram abandonados e votados ao ostracismo de vários governos.
  • Um País que ignora os seus filhos e a sua história deixa de ter pergaminhos.



sexta-feira, 26 de maio de 2017

Wikipédia Militar




Uma vida cerceada pela guerra onde tive momentos difíceis, alguns já se dissiparam com o decorrer do tempo.


Um historial de uma vida, de Mil cento e noventa e três dias.

Escola Prática de Cavalaria(EPC)------------------77 dias
Escola Prática do Serviço de Material(EPSM)----76 dias
Direcção Geral de Material de Guerra(DGMG)---294 dias
Região Militar de Angola(RMA)-----------------806 dias

Partida para RMA no Navio Vera Cruz em 31-07-1971
Chegada a Luanda em 09-08-1971

Chegada ao Aeroporto Figo Maduro em 23-10-1973



quinta-feira, 11 de maio de 2017

Mãe,a guerra



Viram-nos partir. Por entre as lágrimas roubadas a um coração despedaçado, cravaram na memória o último sorrido brotado no último instante do último adeus. E eles foram. Olhavam o longe e procuravam sentir o bafo daqueles filhos paridos com dor, com amor, com a esperança de os verem serem homens, pais capazes de lhes darem os netos ansiados.
Viram-nos partir. Por entre a desolação do tempo consumido nas sombras de dias intermináveis, esperavam notícias. Às vezes apenas uma ou duas frases. “Mãe, está tudo bem.” “Mãe, hoje vou sair para uma missão.” E, afinal, nada estava bem. E, afinal, uma bomba, uma mina perdida, uma bala desgarrada cobravam-lhes o mundo. Cobravam-lhes a vida.
Longe, as mães, esperavam. Às vezes chegavam cartas. Muitas não sabiam lê-las. Esperavam pela noite. Aguardavam a chegada de uma vizinha, de um outro filho. Só então, naquele matraquear de palavras construídas a partir da escrita vinda de um além indefinido, percebiam a dimensão da tragédia.
Viram-nos partir. Nunca os viram regressar. Nunca a dor as abandonou. Nunca aqueles corações voltaram a experimentar a paz. Nunca aqueles rostos reconstruíram a memória dos dias felizes. Nunca aquelas lágrimas deixaram de lhes escorrer pelo rosto como punhais afiados. A dor é uma peçonha agarrada ao corpo. E o corpo chora. E o corpo daquelas mulheres vagueia no presente como um fantasma ancorado na memória de um passado cruel.
São mães cujos filhos morreram em África, numa guerra colonial prolongada para lá de toda a racionalidade. Tudo começou a ganhar uma outra dimensão quando no dia 4 de fevereiro de 1961 o MPLA - Movimento Popular de Libertação de Angola desencadeia um ataque à cadeia de Luanda. Morrem sete polícias e tudo muda. No dia 15 de março do mesmo ano, um outro passo é dado pela UPA - União das Populações de Angola. A norte, numa área que abrangia os distritos do Zaire, Uíje e Quanza-Norte, acontece um ataque tribal e daí nasce um massacre de populações brancas e trabalhadores negros originários de outras regiões.
Foram treze anos de guerra, sistematicamente condenada pela ONU e distribuída por três frentes: Angola, Guiné (a partir de 1963) e Moçambique (a partir de 1964). O 25 de Abril de 1974 coloca um ponto final no sofrimento de uma juventude portuguesa cujo futuro aparecia sempre condicionado pelo terror da partida para África. Alguns não compareciam às inspeções, outros desertavam. Muitos deles por rejeitarem a participação num conflito que condenavam. Do qual discordavam, numa altura em que praticamente toda a Europa colonial já se desfizera dos seus impérios. A maioria, porém, integrava os contingentes gerais.
Partiam. Não sabiam se regressavam. Milhares morreram na vastidão de África. Muitos outros milhares ficaram feridos. Alguns com mazelas físicas ou psicológicas para o resto da vida. Deles se fala com frequência. E na valorização desse sofrimento é demasiadas vezes esquecido um outro sofrimento. O das mães que choram em silêncio.
Fomos procurá-las. Encontrámos mulheres como Delta Monteiro, 90 anos, de Valpaços. De três filhos, só o mais velho foi para a guerra. Morreu no dia 25 de maio de 1973. Faltavam-lhe apenas dois meses para receber a guia de marcha e regressar ao convívio com aquela mãe que sempre viveu no campo, a vender batatas e hortaliças.
“Quando soube que o Carlos tinha de ir para a guerra, foi como uma facada que me deram”, diz Delta. Não sabe explicar, mas um pressentimento fê-la saber que nunca mais aquele filho regressaria com vida. A memória daquela mãe destroçada ainda hoje se fixa “naqueles olhos tão lindos, castanhos, brilhantes e grandes”. Nunca mais teve direito a sentir a força daqueles braços que lhe rodeavam o corpo e a apertavam com força mas também com doçura.
Todos as semanas, Carlos enviava um aerograma à mãe. O último foi expedido no exato dia em que morreu. Dizia apenas: “Vou ser rápido. Está a chegar a avioneta e eu não quero deixar a mãe sem notícias”. Aquela mãe jamais teria querido saber aquela notícia.
O general Spínola, ou alguém por ele, dirigiu uma carta a Delta Moreira. Para lhe dizer que o filho era um herói e morrera pela pátria. A carta funcionou como salvo conduto para o segundo filho não ir para a guerra. Mas aquela mãe não queria uma carta do general Spínola. Não queria um herói. Só queria ter em casa o José Carlos.
Tal como Helena Cardoso, 94 anos, que foi padeira em Rio Tinto, Gondomar. Sabia de um saber nunca ensinado que “a guerra era a morte”. Mãe de cinco filhos, sentiu-se como que esventrada ao ver o mais velho, José Moreira Regadas, partir para Angola. Esperava notícias, mas as notícias não chegavam. O primeiro aerograma demorou uma eternidade até aterrar em Rio Tinto. Helena chorava. Chorava muito por nada saber de José. Até que um dia lhe chega uma carta. Dizem-lhe que José fora ferido e iria regressar. O José que regressou não era o mesmo José que partira. Atingido por uma mina, perdera toda a autonomia. Não se mexia. “Tempos difíceis, pesados como chumbo”, recorda Helena.
Cada história é um novo poço de tristeza. Às vezes são lutos eternos, os vividos por mães como Rosa Jado, 99 anos. Falar do filho Domingos é, ainda hoje, uma impossibilidade. Domingos foi mobilizado para Angola. Regressou em muito mau estado. Acabou por morrer. Rosa começa por aceitar conversar. Só que, para Rosa, a dor é tamanha: verbaliza a palavra “Angola” e nada mais a retira do pranto em que esmorece. Não há mais nenhuma palavra. Porque nenhuma palavra consegue descrever o sofrimento destas mulheres.
Entre 1961 e 1974, a ditadura portuguesa fez sangrar o país em três frentes de combate colonial. Segundo números oficiais, quando se chega a 1974, ano em que foram mobilizados 150 mil efetivos militares para o esforço de guerra em África, entre 7% a 10% da população portuguesa, e mais de 90% da juventude masculina, tinha sido de alguma forma envolvida na guerra.
Em 13 anos morreram mais de 8 mil soldados e ficaram feridos ou incapacitados mais de 100 mil portugueses. Os danos psicológicos são difíceis de contabilizar, mas alguns especialistas da área da psiquiatria apontam para mais de 140 mil portugueses psicologicamente afetados pela guerra.
Dados do Estado-Maior General das Forças Armadas (EMGFA) permitem concluir que morreram 8.831 militares portugueses, dos quais 4.027 em combate. A maioria das mortes ocorreu em Angola (3 455). Seguem-se Moçambique (3 136) e a Guiné (2 240).
Aqueles números, ao referirem apenas os militares mortos, estão longe de traduzir a realidade, uma vez que não incluem as vítimas mortais de civis brancos e negros, tanto entre os guerrilheiros dos movimentos de libertação como entre a população civil.

sábado, 6 de maio de 2017

O ESQUECIMENTO.....

«A escolha da designação da guerra que os portugueses travaram entre 1961 e 1975 não é inocente e, como se tornou um motivo de polémica, ainda menos inocente é. No entanto, penso que não é tão importante como isso, nem precisa de suscitar grandes exaltações, à medida que o tempo vai assentando. Na verdade, a guerra no Ultramar foi uma guerra colonial, e não há modo de lhe dar a volta se tratarmos apenas do conteúdo. Começou como guerra colonial, desenvolveu-se como guerra colonial, gerou as tensões no Ultramar e na metrópole típicas de uma guerra colonial, atingiu soldados, colonos brancos e guineenses, moçambicanos e angolanos, como uma guerra colonial, levou à queda de uma ditadura por ser uma guerra colonial, logo perdida à cabeça e sem solução militar, acabou como uma guerra colonial, e continuou, nas suas sequelas de guerra civil, como acontece com os efeitos de uma guerra colonial.

Para quem se lhe opôs, desde os desertores, os refractários, os militantes contra a guerra nas escolas e fábricas, os partidos clandestinos que combatiam a ditadura, ninguém a designa a não ser como guerra colonial. Para os nacionalistas africanos que combateram com armas as Forças Armadas Portuguesas, também não lhes passa pela cabeça chamar à guerra outra coisa que não colonial. Penso, com o risco deste tipo de previsões, que ficará na História como guerra colonial, pelo simples facto de ter sido… uma guerra colonial.

Mas há outro lado: muitas centenas de milhares de portugueses combateram na guerra, muitas mães, namoradas e esposas conheceram a espera sobressaltada e o sofrimento com mortes, feridos e feridas, algumas das quais nunca sararam. Ouvi recentemente alguns depoimentos de soldados, e das mulheres que esperavam, e percebe-se muito bem porque a designação guerra colonial os incomoda, mesmo que, ao falarem da sua experiência militar, se perceba até que ponto foram forçados a fazerem-na, sofreram ao fazerem-na, e olham para ela com uma perspectiva muito mais crítica do que muitos opositores à guerra são capazes de ter. Por uma razão simples, eles fizeram-na e precisam, pela sua dignidade e identidade, que o seu esforço e risco não seja minimizado ou apoucado, pela parte que lhes cabe na condenação moral que tem a designação de guerra colonial. Eu nunca designaria a guerra a não ser como colonial, se à minha frente estivessem os seus responsáveis políticos e militares, nem os seus defensores actuais, mas não me incomoda vê-la designada como sendo do Ultramar por estes homens e mulheres. Até porque, de todos os que ouvi, nenhum achava que a guerra tinha sido justa, nenhum correu para a guerra porque acreditava nas virtudes do império, nenhum escondia as violências e os excessos e mesmo alguns sublinhavam como a guerra lhes destruiu quer a vida que desejavam ter, quer a que tiveram.



É também por isso, é que penso que o Estado e a comunidade lhes devem aquilo que nos países que conheceram grandes guerras, como os EUA e o Reino Unido, é o reconhecimento dos seus veteranos, e o esforço de os apoiar na sua vida tantas vezes difícil. E honrá-los como devem ser honrados porque a justiça e a injustiça das guerras que um país trava não ficam como julgamento moral dos que as combateram, mas sim naqueles que as decidiram.»

quinta-feira, 30 de março de 2017

MONUMENTOS AOS COMBATENTES

A guerra colonial terminou há mais de quatro décadas, mas em Portugal continuam a inaugurar-se monumentos de homenagem aos militares mortos e já rondam os 300
Entre 1974 e 2003 foram erguidos 52 desses monumentos e que as restantes duas centenas e meia foram inauguradas nos últimos 13 anos .Por iniciativa das populações, das juntas de freguesia, das câmaras municipais e da Liga dos Combatentes ou dos seus 112 núcleos espalhados pelo país ,é a expressão de um sentimento profundo nacional acerca do que foi a guerra colonial e dos sacrifícios que o povo português fez nesse conflito".

Os dados oficiais indicam que a guerra colonial matou cerca de nove mil militares em Angola, Guiné e Moçambique, deixando ainda dezenas de milhares de soldados feridos e com deficiências de vários graus.


     IREMOS ATÉ ONDE A PÁTRIA FOR, 
E SEJA EM PAZ, 
OU SEJA EM GUERRA, 
QUE ESTE CLAMOR 
VIBRE IMORTAL, 
DE MAR EM MAR, 
DE SERRA EM SERRA: 
PORTUGAL! PORTUGAL! PORTUGAL!  

HINO DO EXÉRCITO, 1945, 
LETRA DE ADOLFO S. MULLER

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Um dos que não voltou..

Um dos nossos companheiros que tombou ao serviço da pátria por uma causa sem nexo. Foi abandonado numa parcela de terra de cor vermelha, talvez misturada com o seu próprio sangue. Caiu sem poder se despedir dos que o amavam e o perderam para sempre.
Hoje passados 44 anos já pouco resta da sua campa, e não tardará o seu desaparecimento total. Os sucessivos governos nunca tiveram vontade política para trazer os milhares de militares que foram abandonados nas três frentes de combate..mereciam! Era uma obrigação de todos aqueles que viveram á sombra do nosso esforço e dedicação.

           Armando Silva de Jesus

               

              Cruz de Guerra de 3.ª classe (Título póstumo)

Armando Silva de Jesus, Soldado Atirador n.º 17320271, natural da Terra Grande, freguesia de Serra de Água, concelho de Ribeira Brava, mobilizado pelo Batalhão Independente de Infantaria 19, para servir na Região Militar de Angola, integrado na Companhia de Caçadores 3411.
Tombou em combate no dia 22 de Janeiro 1973
Está sepultado no cemitério de Santana (Catete, Luanda), em Angola, no talhão militar, campa 23



sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

Menu Passagem de Ano

Como qualquer cidadão do Mundo, também tínhamos a regalia de podermos apreciar a alta cozinha confeccionada por algumas estrelas Michelin.
E em algumas situações tinhamos o almoço fora com direito por vezes a foguetes de G3.
Para ficarem com água na boca deixo-vos aqui um dos menus premiados por alturas dos anos 60/70.